Mais uma missão cumprida

Por TI Rei (Reinaldo Pessoa)

A vida continua passando. Sei que o meu tempo diminui a cada dia. Quanto tempo me resta, eu não sei. Então, vou viver o que me resta fazendo o que gosto. Isso, sim, é qualidade de vida. A felicidade não depende do que falta, mas do bom uso daquilo que já temos. Se eu não parar para celebrar, a vida vira apenas uma enorme lista de tarefas.


Quando era criança, não imaginava como seria quando me tornasse um idoso. Não imaginei ser prefeito, governador, presidente, médico, dono de banco… nada disso. Agora sei que ser idoso é bem divertido. Posso acordar tarde, tirar um cochilo depois do almoço. Não tenho lição de casa nem provas; quem tem é minha neta. Não preciso tirar leite: essa tarefa é dos bezerros, e eles a fazem com muito prazer.
Posso selar uma das minhas éguas, cavalgar à beira do rio, aproveitar a brisa fresca ou ir à casa do vizinho na hora do café. Nas trilhas, pessoas gentis até abrem as porteiras para mim. Posso comer o que quiser, porque ninguém me impede. Posso simplesmente fazer o que gosto: cantar, ouvir música, assistir a filmes e novelas, fazer trilhas e, quando tenho dinheiro no bolso, ir aonde quiser. Muitos da minha idade não percebem o quanto são abençoados e livres.


Assim organizamos e realizamos a 38ª Cavalgada Riachão à Conceição, para participar do 239º Jubileu do Senhor Bom Jesus. A cavalgada é outra, mas o pedido continua o mesmo.


Senhor Bom Jesus, abençoe nossos projetos. Viabilize sua realização, amenize as dificuldades e direcione Tua luz para nossas ideias. Conceda-nos criatividade e sabedoria para atingir nossos objetivos. Dá-nos proteção e paz para encontrarmos serenidade, fé para seguir em frente e esperança de alcançar nossas conquistas. Diante dos desafios, clamamos por força e determinação; coragem para superar a insegurança e enfrentar o que for preciso; paciência para esperar o momento certo de agir e sabedoria para distinguir quando não devemos arriscar. Que possamos tomar nossas decisões com discernimento.


Seguimos cavalgando com o coração de portas abertas para receber tudo de bom que a vida nos reserva. As cangalhas e as selas, bem ajustadas pela Selaria Sete e usadas com sabedoria, não causam machucaduras.

Os ânimos se exaltaram quando avisaram que o próximo pouso não estava longe. O anfitrião era um companheiro prestativo, honrado e acolhedor, estimado por todos nós, gente da melhor qualidade. Encontramos ótima alimentação para os cavalgantes e fartas pastagens para os animais. Todos ficamos maravilhados com a recepção dos anfitriões.


Ali na cozinha, a lenha queimava no fogão, o frango fervia cheiroso, e o caldo começava a engrossar. Os olhos se dividiam entre as labaredas coloridas e a travessa de angu com quiabo.


O tempo pode passar depressa: horas, dias e meses. Mas os meus momentos, meus sentimentos e as pessoas de quem gosto ninguém conseguirá levar. Sei que envelhecemos cedo demais e nos tornamos sábios tarde demais.

Nesta 38ª Cavalgada, aconteceu tudo aquilo que nos faz bem. Confirmamos que, quando acreditamos em nós mesmos e colocamos nossa fé no Senhor Bom Jesus, tudo dá certo.


Obrigado!


Com capricho, fazendo o melhor com as condições que temos, não sei até quando, mas vou cavalgando. Pedaços de mim vou deixando…

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