A vaca, o despenhadeiro e o despertar

Uma antiga história conta que dois monges peregrinavam pelo mundo, atravessando vilarejos e pequenas propriedades rurais. O primeiro era sereno, observador e acreditava que cada pessoa deveria encontrar seu próprio caminho. O segundo era inquieto e costumava dizer que, às vezes, é preciso um choque para provocar mudanças.

Certo dia, já anoitecendo, chegaram a uma pequena propriedade rural. Foram convidados a pernoitar pela família, um casal e seus filhos. A casa era simples, a terra pouco produtiva e os recursos escassos. Os monges perguntaram como sobreviviam. O pai respondeu: “Nossa renda vem desta vaca. Vendemos parte do leite, fazemos queijo para consumo próprio e assim conseguimos manter a família.”

Na manhã seguinte os monges partiram. Avistaram a vaca pastando próxima a um penhasco. O monge inquieto voltou e empurrou o animal despenhadeiro abaixo.

Anos depois, os monges voltaram à mesma região. Ao se aproximarem da propriedade, onde ficaram hospedados, tudo havia mudado. A antiga casa simples foi reformada e ampliada. Havia um pomar produtivo, hortas bem cuidadas, galinhas, colmeias e novas construções. O lugar transmitia prosperidade.

Foram recebidos pela mesma família. O monge inquieto, então, fez a pergunta que carregava consigo há anos: “O que aconteceu aqui? Quando estivemos pela última vez nesta propriedade, vocês dependiam de uma única vaca para sobreviver.”

O pai sorriu: “Depois da visita de vocês, nossa vaca caiu no despenhadeiro e morreu. Pensamos que seria o fim. Perdemos nossa única fonte de renda. Depois do desespero inicial, percebemos que precisávamos encontrar outras alternativas. Começamos a cultivar hortaliças para vender na cidade. Minha esposa passou a produzir doces e quitandas. As crianças aprenderam ofícios. Criamos galinhas, iniciamos uma pequena apicultura e plantamos árvores frutíferas. Foi difícil. Trabalhamos muito, cometemos erros e enfrentamos incertezas. Hoje entendemos que a vaca, que era nosso sustento, também era nossa acomodação.”

A LIÇÃO – A “vaca” pode assumir muitas formas: um hábito, uma atividade, um emprego, uma crença ou até mesmo um modelo de negócio que já não permite evoluir. Quem sabe não está na sua hora de empurrar a vaca despenhadeiro abaixo. Em um cenário de constantes mudanças tecnológicas, climáticas e econômicas, buscar conhecimento, diversificar, inovar são atitudes necessárias que podem ajudar a construir um futuro seguro e sustentável.

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