38ª Cavalgada Riachão à Conceição

Os integrantes da Tradicional Comitiva são familiares e amigos de longa data, escolhidos a dedo. A escolha foi feita com cuidado, pois a convivência de nove dias e oito noites, para ser prazerosa e harmoniosa, carece de entrosamento, obediência, compreensão e sabedoria. Não precisamos ser extraordinários em tudo; ser consistentes nas coisas simples nos leva ao destino. Uma atitude simples pode mudar uma história.
As cangalhas (conjunto de madeira, couro cru e sola para os muares levarem as cargas), as bruacas (bolsas de couro cru para transporte de cargas) e algumas selas foram reformadas na Selaria Sete. A divisão correta segue o critério de mesmo peso em cada bruaca; qualquer diferença fará o lado mais pesado puxar para aquele lado.
O que mantém a carga equilibrada é o pêndulo, não o aperto da sobrecarga com o cambito. Os muares são escolhidos entre tantos, sempre os de boa índole. E assim acontece: sem apavorar, com suavidade, o dia vai passando e se despedindo de nós.
Os pousos, com boa alimentação e fartas pastagens para os animais, foram ajeitados, conversados, combinados e contratados. São proprietários amigos e velhos conhecidos, com tradição na recepção da Tradicional Comitiva: Barra do Riachão; Lagoa dos Patos, do Lê; Extrema, no Carlos Magno; Barra do Extrema, no Marco Antônio; João Carrinho; Família Queirós, na região da Parauninha; e Zilma, Jordana, Beatriz, Fernando e família, em Conceição do Mato Dentro.
João Carrinho ajeitou a trilha na subida da serra. Sabemos que a felicidade não depende do que falta, mas sim do bom uso daquilo que já temos. Seguindo em frente e procurando fazer o bem, essa prática nos torna mais fortes. Na verdade, o que fazemos aos outros serve também a nós mesmos.
Estamos organizando a 38ª Cavalgada Riachão a Conceição para participarmos do 239º Jubileu do Senhor Bom Jesus, que acontece de 13 a 24 de junho, em Conceição do Mato Dentro. Essa cavalgada sempre revela uma enorme força e um novo pensamento, com fé, paciência e sabedoria para aceitar tudo aquilo que foge ao nosso controle.
Vamos descobrindo os segredos da Serra Mãe, uma serra que prega, ensina, mas também cobra humildade naquelas trilhas. Seguimos apreciando a natureza e agradecendo, pois temos certeza de que, sem o Senhor Bom Jesus, nada podemos fazer. Ele já preparou uma cavalgada abençoada e cheia de vitórias.
Naquelas paragens, nem sempre o caminho será fácil, mas Ele sempre nos mostrará as montarias adequadas. Cavalgar com fé e sabedoria é o remédio que nos mantém motivados diante dos obstáculos, sempre encarados como desafios.
Junho é o mês de fazermos nossa sonhada cavalgada, de transformar cada etapa em um passo na direção daquilo que faz nosso coração vibrar de alegria e nosso espírito sentir-se verdadeiramente abençoado e vivo. Confiando, sabemos que o Senhor Bom Jesus vai cavalgar conosco.
Marcos Aurélio Batista ferrou boa parte da tropa que participa desta tradicional cavalgada, sem fazer uso da violência, sempre com pedidos delicados, recompensas, elogios e poucas punições.
Com capricho, procurando fazer o melhor com as condições que temos, não sei até quando, mas vou cavalgando. Pedaços de mim vou deixando…

Compartilhe :

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *