A semana é nova, mas o pedido é o mesmo: que o Senhor Bom Jesus nos abençoe, nos acompanhe e nos proteja. O pensamento cria, o desejo atrai e a fé realiza. Se não podemos ser perfeitos, podemos ser melhores. A vida é breve; vamos viver com sabedoria.
Se você tem pressa, o que mais vai encontrar no futuro é saudade do passado. Vou em frente numa marcha suave, recuso acelerar o passo; a vida é tão rara…
Conforme o combinado, familiares e amigos chegam aqui na roça para aproveitar o feriado prolongado da Semana Santa, que acontece sempre na lua cheia. Por um tempo, observei: o simples de Deus é extraordinário.
Me alembro e sinto saudades do tempo que já passou. Com meus pais, minhas irmãs e meu irmão, participávamos das celebrações da Semana Santa.
No Domingo de Ramos, cada um levava um pequeno feixe de capim-sapé ou folhas de palmeira. Depois de abençoados, levávamos para casa, para proteção da família.
Na segunda-feira, participávamos da Procissão dos Passos. A imagem de Jesus carregando a cruz era levada para a igreja do outro lado do rio.
Na terça-feira, Jesus mostrava aos seguidores seus poderes, amaldiçoando uma figueira; ele tinha poder para eliminar seus inimigos. E nós, na esperança de força, enfrentávamos a semana com determinação.
Na quarta-feira, eu e meu irmão íamos com meu pai para o outro lado do rio participar da procissão com Jesus Cristo carregando a cruz — só os homens. Minhas irmãs, com minha mãe, iam para a igreja matriz, de onde saíam em procissão com Nossa Senhora das Dores — só as mulheres.
Em frente à igreja de baixo, acontecia o encontro. Em silêncio, a procissão, com mãe e filho, seguia para a igreja matriz.
Na quinta-feira, às 12h13 — faltava um pouquinho —, ouvia-se muito barulho: eram as matracas, anunciando o luto pela morte de Jesus.
Na sexta-feira, jejum — e, para nós naquela idade, era muito sofrido. À noite, participávamos da procissão do enterro. Eu ficava ali, perto da banda de música, com o maestro Zé Torres Pessoa, meu tio, tocando marcha fúnebre.
No sábado, era dia de reforçar a “segurança”: pegavam coisas das casas para levar para o quintal do Judas, que ficava no adro da matriz, até que os proprietários viessem buscá-las.
Às 00h01, já no domingo, os sinos anunciavam a Páscoa da Ressurreição. Comungávamos todos.
No domingo, o almoço era mais reforçado para comemorar a Páscoa. Naquela época, os coelhos ainda não botavam — não havia ovos de Páscoa. À tarde, muita gente voltava para suas casas na roça.
Naquela ocasião, saímos de madrugada, quando a cidade ainda adormecia.
Não pude ver as primas e os primos, nem ao menos lhes dizer adeus.
Dos meus olhos, vermelhos e sombrios, lágrimas caíam.
Vou cavalgando… pedaços de mim vou deixando.



