Carnaval, então é lua nova

Quem vai me tirar o prazer de escolher o leite da vaca mais sadia, com o bezerro mais velho, cozinhar bem cozido com uma pitada de sal. À tarde, saborear a nata amarela e grossa. Ou vai me censurar se resolvo cozinhar uma maçã de peito, depois colocar esta maçã de peito no tabuleiro e colocar no forno do fogão a lenha pra tirar o excesso de gordura. E comer o tanto que eu quiser. Pra compensar não vou beber bebida alcoólica. Eu consigo, uai. Ouvindo aqueles sucessos maravilhosos dos anos 70 e 80.
Depois que fiz 71 anos, sou às vezes esquecido. Descobri que algumas coisas da vida devem mesmo ser esquecidas. Procurar recordar das coisas boas, claro uai. Coisas ruim quebram o coração da gente. Apesar que coração partido nos dá força, compreensão, compaixão, sabedoria.
Oh procevê. Esqueci de olhar o celular. Fui ver, tinha mensagem que a turma vai chegar no final dá tarde, sábado véspera do Carnaval, conforme o combinado. E que seja cativante cada gesto de carinho entre amigos e familiares que aqui chegam. O Carnaval acontece na lua nova, a semana Santa é que é na lua cheia…
Fiquei incumbido de cortar a grama no entorno da casa. Deixei algumas éguas fazerem o serviço. Ficou ótimo. Até que enfim chegaram, é por não saber o dia de amanhã que cada hoje é um enorme presente. Que seja alegre, que seja ótimo, que seja leve, que seja abençoado.
Iara, Wellington e os filhos Lys e Téo; Roberta, Marquinhos e a filha Manuela; Daniel Beiçola e a filha Helena; Rosa, Nica, Ana Lucia; Polly, Michell e o filho Ravi; Gut, Bruna e os filhos Isis e Bernardo; Patrícia, Jonathan e o filho Gabriel; Nandinho, Ana Paula e o filho Bernardo; Gabriel, Regiane, Alemão, Reinaldo, Tania.
E foi aquela serviçama prazerosa. Descarregar os veículos, ajeitar os quartos, colchões, roupa de cama. Nas geladeiras foram colocadas as feiras.
O Nica disse: “Finalmente o Carnaval chegou, que seja maravilhoso, com paz e tranquilidade, dando a esses dias a possibilidade de ser os melhores de nossas vidas…”
No fogão à lenha, a fogueira ardia, a suã de porco fervia. Um dos os olhos do Beiçola preso nas coloridas labaredas; o outro, na filha Helena que adulava a cadela Bina.
Todos ali fazendo de um tudo. As cervejas, na cervejeira que marcava menos -4.8 graus. Então foi experimentar. E para agradar aos presentes busquei minha relíquia, um LP de marchinhas de Carnaval, e coloquei na radiola. As músicas “A turma do funil”, “Me dá um dinheiro aí”, “Bandeira Branca”,” Saca rolha”, “Marcha do remador”, “Quem sabe, sabe”, “Daqui não saio”, “Jardineira”, “Máscara negra”,” Mulatas”, Cachaça”. A garotada manifestou logo: “Que isso vovô”. Acharam estranho, mas lembramos dos bailes de carnaval, no Iporanga e Democrata. Quanto riso, oh, quantas saudades…
Valorizando as pessoas que nos acolhem na vida e no coração. Ajeitando para que sua capacidade de se encantar com a vida nunca adormeça, mesmo em dia ensolarado e escaldante. Quem faz o dia lindo somos nós mesmos.
Com capricho, correndo aqui e acola, procurando fazer o melhor com as condições que temos, vou cavalgando, pedaços de mim vou deixando…

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