Azedinha: sabor, saúdee segurança alimentar

Por Antonio Henrique de Souza, Bolsista FAPEMIG; e Marinalva Woods Pedrosa, Pesquisadora da EPAMIG Centro-Oeste – Prudente de Morais, MG

Atualmente, a escolha do consumidor está cada vez mais orientada para alimentos de alta qualidade que priorizam suas propriedades nutricionais. As hortaliças desempenham um importante papel na dieta humana e ocupam um lugar de destaque entre as culturas alimentares, normalmente designadas como “alimentos protetores”, pois fornecem quantidades adequadas de vitaminas e minerais, além de serem fontes de antioxidantes naturais, como polifenóis, carotenoides e vitaminas C e E. Globalmente, a diversidade de culturas e o valor nutricional das hortaliças são essenciais para melhorar a soberania, segurança alimentar e nutricional (SSAN). A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda a ingestão diária mínima de 400 gramas de frutas e vegetais para adultos (excluindo batatas e outros alimentos ricos em amido) para a prevenção de doenças crônicas não transmissíveis, além de auxiliar a prevenção de várias deficiências nutricionais. Essa quantidade deve ser distribuída em cinco porções ao longo do dia, sendo essencial que pelo menos uma delas inclua vegetais de folhas verdes.


Nesse contexto, as plantas alimentícias não convencionais (PANC) emergem como alternativas promissoras, pois aliam elevado valor nutricional à grande diversidade de usos culinários. Essas plantas são ingredientes importantes na culinária de diferentes regiões brasileiras e apresentam potencial para se tornarem elementos-chave no combate à insegurança alimentar. No Brasil, há uma grande diversidade de espécies vegetais consideradas PANC, sendo tradicionalmente consumidas frescas ou usadas para fazer sucos, ensopados, saladas, doces, geleias, sorvetes, refogados e bolos. Dentre as hortaliças folhosas azedinha, almeirão-de-árvore, beldroega, capuchinha, ora-pro-nóbis, peixinho e taioba são algumas das PANC que vêm ganhando destaque.

A azedinha pertence ao gênero Rumex composto por cerca de 200 espécies e algumas dessas espécies podem ser consideradas ervas daninhas, enquanto outras são incorporadas em dietas, usadas como forragem, plantas melíferas e/ou medicinais. No Brasil, a azedinha (Rumex acetosa L.) raramente floresce devido às condições climáticas. Em razão disso a propagação é realizada de forma vegetativa pela divisão de touceiras. É uma planta herbácea perene, de fácil propagação e cultivo, além de alta resistência a pragas, doenças e às condições ambientais adversas. As folhas da azedinha são ricas em compostos fenólicos, com efeitos antioxidantes, bem como cardioprotetores, promotores do sistema imunológico, antibacterianos, anticancerígenos e anti-inflamatórios. O consumo das folhas se dá principalmente em saladas e sucos, podendo também compor pratos assados e ensopados.


Dessa forma, a azedinha se apresenta como hortaliça de grande potencial para integrar a alimentação dos brasileiros. Valorizar seu cultivo e consumo significa incentivar a agrobiodiversidade, fortalecer a agricultura familiar e ampliar o acesso da população a alimentos mais saudáveis e diversificados.

Mais informações: (31) 2120-0159 ou epamigcentrooeste@epamig.br

  • Matéria técnica extraída da Revista COOPERANDO, edição 679, de 15 de julho de 2026

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