SILAGEM: Tecnologia de custo zero que impacta diretamente no bolso do produtor

Por: Fernanda de Kássia Gomes, Pesquisadora/EPAMIG Centro-Oeste; Raissa da Silva Rodrigues, bolsista PIBIC/CNPq; e Karina Toledo da Silva, Pesquisadora/EPAMIG Centro-Oeste

Para o produtor, a silagem representa meses de planejamento, investimento e trabalho na lavoura, além de ser a principal fonte de volumoso do rebanho durante a seca.
É natural que grande parte da atenção no processo de produção de silagem esteja voltada às etapas de colheita, picagem, enchimento e compactação, determinantes para a qualidade do material. No entanto, após a abertura do silo, inicia-se uma nova fase igualmente importante e, muitas vezes, negligenciada: o desabastecimento.
A fermentação anaeróbica se completa em aproximadamente três semanas e o material se preserva por longo período em silagem compactada adequadamente.
No entanto, esse estado de preservação pode ser alterado assim que inicia a retirar o material. Durante este processo, a silagem entra em contato com o ar, iniciando a fermentação aeróbica. Fungos e leveduras começam a crescer, fazendo a silagem perder valor nutritivo e gerar prejuízo. Por isso, minimizar a exposição da face do silo ao ar é fundamental.
O segredo para evitar a deterioração está na velocidade de avanço na retirada da silagem do painel. A remoção diária da fatia deve ser rápida o suficiente para superar a velocidade de deterioração pela entrada do ar.
Em regiões de clima tropical, como o Brasil, recomenda-se retirar uma fatia entre 20 e 30 cm por dia em toda a extensão do painel. Essa recomendação é importante porque o oxigênio pode penetrar de 1 a 2 metros horizontalmente na massa ensilada. Com um avanço de 30 cm, por exemplo, a silagem exposta permanece na face do silo por cerca de três dias antes de ser fornecida aos animais, reduzindo as perdas.
Portanto, o tamanho e as dimensões do silo tipo trincheira deverão ser planejados de acordo com a necessidade diária do rebanho.
Um erro frequente é utilizar silos já existentes ou construir novos sem considerar a previsão da camada diária a ser removida do silo, em função do número de animais. Isto representa elevada fonte de perdas de silagem por ocasião do fornecimento. Desse modo, o dimensionamento do silo deve começar pelo manejo de desabastecimento.
O primeiro passo é calcular o consumo diário do rebanho. Em seguida, definem-se as dimensões do silo com base no volume necessário e na densidade esperada da massa ensilada, utilizando como referência dados históricos da fazenda ou de sistemas semelhantes.
Outro ponto importante é a orientação do corte do painel, que deve ser feito sempre de cima para baixo, usando a fresa do vagão ou o garfo hidráulico, deixando a parede reta e compacta.
O erro mais comum é entrar com a concha do trator por baixo e forçar para cima; isso racha o silo por dentro, criando caminhos de entrada de oxigênio. Essas práticas são tecnologias que sem custo, que garantem que a silagem de qualidade da silagem produzida continue no cocho, protege a saúde do rebanho e valorizando cada centavo investido.

Mais informações entrar em contato por e-mail: fernanda.gomes@epamig.br

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