Por: Fernanda de Kássia Gomes e Karina Toledo da Silva, Pesquisadoras Bovinocultura/EPAMIG Centro-Oeste
A produção de ruminantes baseada em pastagem é considera a forma mais econômica de produzir carne e leite. Apesar dessa importância, cerca de metade das pastagens estão degradadas, devido a erros de manejo, falta de reposição de nutrientes, escolha inadequada de espécies, falta de práticas de conservação do solo e, por fim, ausência de planejamento forrageiro. Sem um planejamento bem feito, podem ocorrer períodos em que há excesso ou escassez de alimento, o que leva ao superpastejo ou ao sobrepastejo, resultando em menor produtividade dos animais e na degradação das pastagens.
O principal desafio dos sistemas de produção animal em pastagens é equilibrar a oferta e a demanda de forragem, que variam ao longo do ano devido à estacionalidade climática. Para contornar esse problema, é fundamental que seja elaborado um bom planejamento forrageiro, garantindo que haja alimento suficiente em quantidade e qualidade durante todo o ciclo de produção, atendendo às necessidades do rebanho. Para isso, as ações para contornar esse problema devem ser planejadas e executadas ainda durante a época das águas, período de maior crescimento das plantas forrageiras.
O primeiro passo para o planejamento forrageiro é conhecer bem a propriedade. É fundamental saber quantos animais há no rebanho, a área de pastagem disponível, as espécies de capim plantadas e o tipo de solo. Essas informações permitem planejar a produção de forragem de forma ajustada à necessidade dos animais. Também é importante registrar os dados de produção de forragem, considerando a matéria seca, e calcular a demanda do rebanho com base na quantidade, categoria e no peso dos animais, tanto para o período das águas quanto para a seca. Com esses dados em mãos, o produtor consegue estimar o volume de forragem necessário para atravessar a entressafra com segurança. Contudo, planejar não é algo feito uma vez só, é um trabalho contínuo, que exige acompanhamento e ajustes constantes, mas traz retorno certo.
O período da seca sempre vai existir, e o sucesso do sistema depende de como o produtor se prepara para enfrentá-lo. Estratégias como adubação, irrigação, produção de silagem, feno, pré-secado, formação de capineiras, canaviais e diferimento de pastagens garantem alimento na entressafra. Outra opção é diminuir a taxa de lotação animal, conforme a disponibilidade de forragem, mas isso exige planejamento criterioso. No caso da pecuária leiteira, essa decisão é mais delicada, já que o fluxo de produção é contínuo.
O planejamento forrageiro traz ganhos diretos à propriedade, aumentando a oferta de alimento e a taxa de lotação, além de reduzir os custos. Com essa prática, o produtor consegue manter a produtividade do rebanho estável, mesmo diante das variações climáticas ao longo do ano.
Mais do que uma técnica, o planejamento forrageiro é uma mudança de mentalidade. É entender que o pasto é uma lavoura que precisa de cuidado, adubação e manejo constante. O produtor que planeja não apenas a forrageira, mas todo o sistema de produção, transforma a seca em um período previsível e controlado, mantendo o rebanho produtivo e garantindo a continuidade da produção de leite e carne com mais eficiência e sustentabilidade.
Quando o planejamento forrageiro é implantado, a seca vira apenas mais uma estação
Maies informações, entrar em contato por e-mail: fernanda.gomes@epamig.br
Matéria publicada na Revista COOPERANDO de novembro/2025



