Importância do monitoramento das moscas-das-frutas em pomares

Por Natália Carolina Oliveira Abreu, José Carlos Moraes Rufini  e Marcos Antônio Matiello Fadini* |||||

As moscas-das-frutas são pragas importantes para a fruticultura. Suas larvas se desenvolvem dentro dos frutos, comprometendo a qualidade e inviabilizando a comercialização. Ao se alimentarem da polpa, induzem processos de fermentação que tornam os frutos impróprios para o consumo. Isso pode provocar queda prematura ou amadurecimento precoce. Além disso, quando as fêmeas das moscas-das-frutas depositam ovos no fruto, geram ferimentos na casca, que se tornam uma porta de entrada para patógenos causadores de podridões. Essas injúrias comprometem a qualidade visual e sensorial dos frutos, reduzindo seu valor comercial e tornando-os menos atrativos aos consumidores.

Embora popularmente associadas apenas à cultura da goiaba, as moscas-das-frutas atacam quase todas as frutíferas de importância comercial e também silvestres. Estas moscas estão presentes ao longo do ano, instalando-se nos pomares durante as safras e mantendo-se em hospedeiros alternativos na entressafra. Esse ciclo contínuo gera danos econômicos às safras subsequentes e facilita a dispersão da praga para novas áreas através de frutos infestados com ovos e larvas. Quando os frutos são destinados para o mercado externo, a presença de larvas de moscas-das-frutas resulta na imposição de barreiras fitossanitárias e em perdas econômicas significativas.

Mesmo pequenas populações podem causar perdas severas.  Assim sua presença frequentemente é negligenciada, resultando em estimativas imprecisas e controle ineficaz. Nesta situação, o monitoramento é essencial para detectar precocemente a praga e implementar táticas de controle eficaz. Para as moscas-das-frutas, essa prática pode ser realizada com o uso de armadilhas para detecção do adulto no pomar. Podem ser usadas armadilhas do tipo McPhail ou, para reduzir custos, armadilhas caseiras feitas de garrafas PET perfuradas. Embora o uso de melaço ou sucos de frutas como atrativo seja mais popular, essas misturas não são recomendadas devido à falta de seletividade e padronização, atraindo não apenas as moscas-das-frutas, mas também outros insetos benéficos. No mercado, há proteínas hidrolisadas disponíveis que são eficazes e seletivas para esses insetos. Esses atrativos atuam em um momento crucial do ciclo do inseto. Ou seja,  após emergirem, quando necessitam de alimentos ricos em proteínas para maturação reprodutiva.

Para o monitoramento, as armadilhas podem ser colocadas em áreas periféricas do pomar (=bordas), em locais sombreados, a uma altura entre 1,50 a 2,00 metros. As inspeções devem ser semanais, utilizando o índice MAD (mosca/armadilha*dia) para estimar o nível da infestação.

Se o índice MAD for inferior a 0,5, recomenda-se o controle localizado com iscas tóxicas, empregando atrativos associados a um inseticida regulamentado, para que os insetos sejam atraídos para a isca, evitando o crescimento da população. Índices maiores que 0,5 recomenda-se o controle em área total. Contudo, por não ser economicamente viável a aplicação em área total, muitos produtores utilizam inseticidas com atrativos para reduzir a área de aplicação, direcionando-a aos troncos das árvores para evitar resíduos nos frutos.

O rigor do índice MAD pode variar conforme a finalidade do fruto e a exigência do mercado. Para exportação, deve ser rigoroso, enquanto que para processamento pode ser menos rigoroso. Outros fatores a considerar incluem a experiência da localização do pomar, a maturação dos frutos, a época do ano e a presença de hospedeiros alternativos.

Em resumo, o monitoramento das moscas-das-frutas é essencial para manter a qualidade e a viabilidade econômica da produção. Negligenciar essa prática pode levar a infestações descontroladas, aumento de custos e limitações no mercado. Com um monitoramento regular, é possível aplicar diferentes métodos de controle, evitando desperdícios de recursos e minimizando o impacto ambiental. Portanto, o monitoramento contínuo é um investimento estratégico e contínuo para garantir uma produção sustentável e competitiva de frutas.

Agradecimentos: À Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG)  pelo suporte ao desenvolvimento do projeto APQ-02821-22.

* Natália Carolina Oliveira Abreu, José Carlos Moraes Rufini  e Marcos Antônio Matiello Fadini  (UFSJ e grupo de estudos Conhecimento)

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