O mês de fevereiro impõe desafios importantes à produção leiteira. Calor intenso, alta umidade e chuvas frequentes criam um ambiente favorável à queda da qualidade do leite, exigindo atenção redobrada do produtor em todas as etapas do processo produtivo. Nesse período, manter bons índices de qualidade não depende apenas de genética ou alimentação, mas, principalmente, de manejo, higiene e rapidez no resfriamento do leite.
O estresse térmico é um dos principais fatores que afetam a qualidade da matéria-prima durante o verão. Vacas submetidas a temperaturas elevadas reduzem o consumo de matéria seca, o que impacta diretamente a produção e a composição do leite, com queda nos teores de gordura e proteína. Além disso, o estresse térmico compromete o sistema imunológico dos animais, aumentando a susceptibilidade a mastites, especialmente as de origem ambiental, comuns nessa época do ano.
O conforto animal deve ser encarado como uma ferramenta direta de melhoria da qualidade do leite. Sombras naturais ou artificiais, ventilação adequada, acesso irrestrito à água limpa e fresca e manejo que evite longos períodos de espera antes da ordenha ajudam a minimizar os efeitos do calor. Pequenas melhorias no ambiente refletem em maior bem-estar, menor incidência de doenças e leite de melhor qualidade no tanque.
Outro ponto crítico em fevereiro é a higiene na ordenha. O excesso de lama nos piquetes, corredores e áreas de espera favorece a contaminação dos tetos, elevando os riscos de aumento da Contagem Bacteriana Total. A rotina de ordenha precisa ser rigorosamente seguida, com atenção especial ao pré-dipping, tempo de ação do produto, secagem correta dos tetos com papel descartável e descarte dos primeiros jatos. O pós-dipping continua sendo indispensável para a proteção do teto após a ordenha.
O resfriamento rápido do leite é um dos fatores mais determinantes para a preservação da qualidade no verão. O leite deve atingir a temperatura de quatro graus no menor tempo possível após a ordenha. Em fevereiro, problemas como quedas de energia, sobrecarga dos tanques e falhas de manutenção tornam-se mais frequentes. Por isso, é fundamental realizar revisões periódicas nos equipamentos e garantir a correta limpeza do tanque.
A mastite merece atenção especial nessa época do ano. As mastites ambientais tendem a aumentar devido à umidade e à maior presença de microrganismos no ambiente. Manter camas secas, melhorar a drenagem das áreas de descanso e monitorar regularmente a Contagem de Células Somáticas são práticas essenciais. O acompanhamento da CCS deve ser visto como ferramenta de gestão.
Dicas simples de manejo para o produtor no mês de fevereiro
- Evite deixar as vacas esperando na sala de ordenha por longos períodos, especialmente sob sol ou calor excessivo.
- Garanta água limpa, fresca e em quantidade suficiente nos piquetes e próximo à ordenha.
- Mantenha corredores, áreas de espera e entradas da ordenha livres de lama sempre que possível.
- Revise o funcionamento do tanque de resfriamento e do termostato ao menos uma vez por semana.
- Nunca misture leite quente com leite já resfriado por longos períodos.
- Troque regularmente as soluções de pré-dipping e pós-dipping.
- Observe diariamente os tetos e descarte imediatamente vacas com sinais de mastite clínica.
- Limpe bem o tanque e os equipamentos após cada coleta.
- Utilize os resultados de CCS e CBT como ferramenta de correção, não apenas de controle.



