Cafés especiais na região de Sete Lagoas

Por Thais Sampaio Martins, acadêmica de Engenharia Agronômica da UFSJ

Há cerca de 8 anos, o Grupo de Estudos em Cafeicultura (GECAF), do Departamento de Engenharia Agronômica da UFSJ, sob a direção do Prof. Dr. Amilton Ferreira da Silva, vem dedicando esforços à pesquisa. O foco: identificar e adaptar as variedades de Café Arábica que melhor prosperam no microclima e solo de Sete Lagoas e seu entorno. Essa iniciativa de produção de cafés especiais ganhou força, em grande parte, porque o próprio campus de Sete Lagoas já produz café especial em sua área de experimentos, comprovando o potencial da região. Em análises realizadas, os cafés alcançaram mais de 80 pontos (pontuação acima da qual, o café é classificado como especial). “É uma pesquisa valiosa que nos deu a segurança de que o café de alta qualidade é uma realidade possível aqui”, afirma Thais Sampaio Martins, acadêmica da UFSJ e membro ativa do GECAF, que tem acompanhado de perto a jornada dos primeiros produtores. Recentemente, este conhecimento acadêmico deu um salto para a prática. Há pouco mais de um ano, o GECAF iniciou um projeto de extensão visando levar esse conhecimento e tecnologia diretamente aos pequenos produtores rurais. A meta é ousada e inspiradora: implantar cerca de 50 mil pés de café tipo exportação na região até 2030, construindo uma nova e rentável cultura de cultivo e manejo de café especial.

Agricultura Regenerativa: Qualidade com Sustentabilidade

O diferencial deste projeto está na sua filosofia de produção. As técnicas de implantação e manejo das lavouras seguem um rigoroso padrão baseado no conceito de Agricultura Regenerativa. Este modelo prioriza a reconstrução dos Biomas do solo e a saúde do ecossistema, utilizando intensamente a biotecnologia. O resultado é uma drástica minimização no uso de fertilizantes e defensivos químicos, garantindo não apenas a qualidade do grão, mas também a sustentabilidade a longo prazo. As mudas, por exemplo, são produzidas a partir de sementes pré-selecionadas pela renomada Fundação ProCafé, garantindo um alto padrão genético desde o início.

Parcerias de Sucesso e Resultados de Produtividade

Um dos pioneiros a embarcar nesta fase de implantação é o Sr. Remo Lucioli, que está iniciando uma lavoura com mais de 10 mil pés de Café Arábica em sua propriedade. “Decidi pelo plantio do Café Arábica depois de ver a qualidade e robustez dos estudos realizados pela UFSJ”, conta o Sr. Remo. Ele ressalta, no entanto, que o sucesso da implantação passa pela integração de forças: “Sem o apoio e a assessoria prestados pela Emater, Senar e principalmente do GECAF/UFSJ, seria impossível implantar e manejar uma cultura como o Café Arábica em nossa região.” As cultivares escolhidas para iniciar o plantio do Sr. Remo já são fruto de resultados de desempenho superior nos experimentos da Universidade. A expectativa de colheita do Sr. Remo é um testemunho do potencial regional: ele projeta colher mais de 80 sacas por hectare, um número significativamente acima da média nacional.

Um Futuro no Mapa Cafeeiro Nacional

O projeto da UFSJ tem uma clara conotação de promoção e integração socioeconômica para os pequenos produtores. Ao criar uma cultura de cafés de alta qualidade, Sete Lagoas e região deverão ganhar destaque no cenário cafeeiro de Minas Gerais e do Brasil. Até 2030, a expectativa é agregar cerca de 200 pequenos e médios produtores, reunindo a produção de aproximadamente 50 mil pés de Café Arábica. Este esforço coletivo não apenas eleva a renda e o padrão de vida no campo, mas consolida Sete Lagoas como um novo polo de excelência em café especial no país.

Liderado pelo conhecimento científico da Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ), campus Sete Lagoas, um projeto ambicioso está florescendo, com o objetivo de inserir a região no mapa da produção de Cafés Arábica Especiais com um toque de inovação e sustentabilidade

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