Mastite: o problema silencioso que afeta a qualidade do leite

A mastite é uma das principais enfermidades que impactam a pecuária leiteira, sendo responsável por prejuízos significativos tanto na produção quanto na qualidade do leite. Muitas vezes silenciosa, especialmente em sua forma subclínica, a doença pode evoluir sem sinais visíveis, comprometendo a saúde do rebanho e reduzindo a rentabilidade da atividade.
Caracterizada pela inflamação da glândula mamária, a mastite pode ser causada por diferentes tipos de microrganismos, sendo classificada, de forma geral, em mastite clínica e subclínica. A forma clínica é mais fácil de identificar, pois apresenta alterações visíveis no leite, como grumos, pus ou aspecto aquoso, além de inchaço e sensibilidade no úbere. Já a mastite subclínica não apresenta sinais aparentes, sendo detectada principalmente por meio de exames como a Contagem de Células Somáticas (CCS).
Mesmo sem sintomas visíveis, a mastite subclínica é responsável por grandes perdas. Ela reduz a produção de leite, altera sua composição — afetando teores de gordura, proteína e lactose — e compromete a qualidade da matéria-prima. Além disso, índices elevados de CCS podem resultar em penalizações ao produtor.
O controle da mastite começa com boas práticas de manejo, especialmente durante a ordenha. A higiene dos tetos é fundamental para evitar a entrada de microrganismos. A realização correta do pré-dipping, com tempo adequado de ação do produto, seguida da secagem com papel descartável, contribui significativamente para a redução da contaminação. O pós-dipping, por sua vez, é essencial para proteger o canal do teto após a ordenha, quando ele permanece mais vulnerável.
Locais úmidos, com presença de lama e acúmulo de matéria orgânica, favorecem a proliferação de bactérias causadoras de mastite ambiental. Manter camas, piquetes e áreas de descanso limpos e secos é uma medida simples, mas altamente eficaz na prevenção da doença.
A manutenção adequada dos equipamentos de ordenha também merece atenção. Teteiras desgastadas, falhas no vácuo ou pulsação irregular podem causar lesões nos tetos, facilitando a entrada de agentes infecciosos. Revisões periódicas garantem o bom funcionamento do sistema e contribuem para a saúde do úbere.
O monitoramento do rebanho é uma ferramenta indispensável. A realização de testes como o CMT permite identificar precocemente vacas com mastite subclínica, possibilitando intervenções rápidas. O acompanhamento dos resultados de CCS deve ser constante, auxiliando na tomada de decisões e no controle da doença dentro da propriedade.
È fundamental adotar medidas de manejo adequadas para vacas no período seco. A secagem bem conduzida reduz o risco de novas infecções e prepara o animal para a próxima lactação com melhores condições sanitárias.
Com disciplina na rotina, cuidados com o ambiente e acompanhamento técnico, é possível reduzir significativamente sua incidência, melhorar a qualidade do leite e aumentar a rentabilidade da atividade.

Dicas práticas para o controle da mastite

. Realize corretamente o pré-dipping e o pós-dipping em todas as ordenhas
. Seque bem os tetos com papel descartável
. Mantenha camas e áreas de descanso sempre limpas e secas
. Faça manutenção periódica da ordenhadeira
. Utilize o CMT para identificar mastite subclínica
. Separe e trate rapidamente vacas com mastite clínica
. Acompanhe os índices de CCS do rebanho.
. Planeje corretamente a secagem das vacas.
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