O verão é, tradicionalmente, o período de maior desafio sanitário na criação de cavalos. As altas temperaturas associadas à maior umidade criam condições ideais para a multiplicação de parasitas internos (verminoses) e externos (ectoparasitas), impactando diretamente a saúde, o desempenho e o bem-estar dos equinos. O controle eficiente nessa época exige conhecimento dos ciclos dos parasitas, estratégias corretas de verificação e um manejo rotacional bem planejado.
Por que o verão favorece os parasitas?
O calor acelera o desenvolvimento das formas infectantes dos parasitas no ambiente. Ovos e larvas presentes nas fezes evoluem mais rapidamente nas pastagens, enquanto moscas, carrapatos e outros ectoparasitas encontram condições ideais para reprodução. Com isso, a pressão parasitária aumenta significativamente, elevando o risco de infecções maciças, especialmente em potros, animais idosos ou submetidos a estresse nutricional e de manejo.
Principais parasitas internos e seus ciclos
As verminoses mais comuns em equinos são causadas por pequenos estrôngilos (ciatostomíneos), grandes estrôngilos, ascarídeos (principalmente em animais jovens) e cestódeos.
De forma simplificada, o ciclo ocorre assim:
O animal elimina ovos nas fezes;
Esses ovos evoluem para larvas infectantes no ambiente, principalmente na pastagem;
O cavalo se infecta ao ingerir essas larvas durante o pastejo;
As larvas se desenvolvem no trato digestivo, podendo causar lesões, inflamações e perda de eficiência digestiva.
No verão, esse ciclo se completa mais rapidamente, aumentando a carga parasitária em curto espaço de tempo.
Ectoparasitas: mais que incômodo
Moscas, mutucas, carrapatos e piolhos (estes últimos mais comuns no inverno, mas ainda possíveis) não causam apenas desconforto. Eles provocam estresse, perda de condição corporal, feridas, reações alérgicas e podem atuar como vetores de doenças. A infestação intensa leva o animal a gastar energia excessiva se defendendo, prejudicando ganho de peso, desempenho esportivo e até a reprodução.
Estratégias de verificação: tratar com critério
O controle moderno de parasitas não se baseia mais em vermifugações indiscriminadas. A estratégia mais eficiente é o monitoramento.
Exame de fezes (OPG – ovos por grama): permite identificar quais animais realmente necessitam de tratamento e em que intensidade.
Avaliação clínica: perda de peso, pelagem opaca, cólicas recorrentes, diarreia ou queda de desempenho são sinais de alerta.
Observação do ambiente: presença excessiva de moscas, áreas de fezes acumuladas e pastagens superpastejadas indicam maior risco.
Essa abordagem reduz custos, evita resistência aos vermífugos e mantém a eficácia dos princípios ativos disponíveis.
Manejo rotacional: peça-chave do controle
O manejo das pastagens é tão importante quanto o uso de medicamentos.
Boas práticas incluem:
Rotação de pastagens, permitindo períodos de descanso suficientes para reduzir a sobrevivência das larvas;
Evitar superlotação, pois aumenta drasticamente a contaminação do solo;
Recolhimento periódico das fezes, principalmente em piquetes menores;
Alternância de espécies (como bovinos após equinos), quando possível, ajudando a quebrar o ciclo dos parasitas específicos dos cavalos.
No caso dos ectoparasitas, o manejo ambiental deve incluir limpeza de cochos, controle de matéria orgânica úmida e, quando indicado, uso criterioso de armadilhas, repelentes e inseticidas registrados.
Integração é a palavra chave
No verão, o controle de parasitas em equinos deve ser integrado: conhecimento do ciclo biológico, monitoramento constante e manejo correto do ambiente. O uso racional de vermífugos e produtos contra ectoparasitas, aliado a boas práticas de manejo, resulta em animais mais saudáveis, produtivos e longevos.
Investir em prevenção e estratégia é sempre mais eficiente — e mais barato — do que tratar as consequências de infestações severas em plena estação mais crítica do ano.



