Por Marcelo Guimarães, editor do TEMPO VERDE
O mercado do leite atravessa um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos. Ao final de 2025 e início de 2026, os preços pagos ao produtor seguem pressionados, refletindo um cenário de oferta elevada, demanda moderada e forte concorrência de derivados importados, especialmente o leite em pó. Em muitas regiões do país, os valores recebidos mal cobrem os custos de produção, comprometendo o fluxo de caixa das propriedades e levando produtores a reduzir investimentos, descartar vacas e até abandonar a atividade.
A queda dos preços é resultado de um conjunto de fatores. A produção nacional cresceu de forma consistente nos últimos ciclos, impulsionada por ganhos de produtividade, enquanto o consumo interno não acompanhou esse ritmo. Soma-se a isso um ambiente internacional de excesso de oferta, que mantém baixos os preços dos lácteos no mercado global e favorece as importações. No varejo a redução não chega com a mesma intensidade ao consumidor, ampliando a insatisfação.
Para 2026, as perspectivas são de cauteloso otimismo. Analistas e entidades do setor projetam uma recuperação gradual dos preços ao longo do ano, impulsionada principalmente pela desaceleração da produção, já que muitos produtores limitaram a expansão diante da baixa rentabilidade. Esse ajuste tende a equilibrar oferta e demanda, abrindo espaço para melhora nos valores pagos ao produtor, ainda que de forma moderada.
O ano que se inicia, no entanto, seguirá marcado por volatilidade e incertezas. Custos de insumos, clima, política de importações e comportamento do consumo continuarão influenciando o mercado.
Diante desse senário, a estratégia para os produtores passa por eficiência produtiva, controle rigoroso de custos, gestão profissional e, sempre que possível, agregação de valor à produção. A resiliência será fundamental para atravessar esse período e aproveitar as oportunidades que podem surgir com a esperada recuperação do mercado em 2026.



