Por Marcelo Guimarães, editor da Revista COOPERANDO e do Portal TEMPO VERDE |||||
A primeira entrevista com o produtor rural associado da Coopersete Marcelo Candiotto Moreira de Carvalho para a COOPERANDO aconteceu em abril de 2006. Falou das suas experiencias e atividades na Fazenda Retiro do Flor, em Funilândia (MG), e do seu interesse em contribuir para o sistema cooperativista. Em março de 2007 foi eleito diretor financeiro e, posteriormente, presidente da Coopersete, de onde saiu em março de 2017 para assumir o comando da Cooperativa Central de Produtores Rurais (CCPR).
Na recente “Conversa com o produtor”, Candiotto falou sobre a nova fábrica de rações da CCPR, da aprovação pelo Senado Federal do Ato Cooperativo, da importância da Central Mineira, e dos programas que a CCPR tem em andamento; além de outros que serão implantados junto ao produtor cooperado, buscando a diversificação das atividades e, consequentemente, das rendas na fazenda. Hoje, o associado das cooperativas singulares, com apoio da CCPR, poderá ser produtor e comercializar milho e sorgo, criar de gado de corte e até avaliar a possibilidade de implementar um sistema de piscicultura.
Em 2006, a produção da Retiro do Flor era de 970 litros de leite por dia; atualmente abriga 150 vacas girolanda mantidas no sistema Compost de Barn, mais outros 70 animais fora do curral, que produziram quase 6.000 litros diários de leite em dezembro último: “Gado F1, rústico e com produtividade, adaptado para nossa região. A média de produção é de 37,8 litros de leite por animal/dia”, contabiliza Candiotto.
E explica: “O Compost cria essa condição, leite com rentabilidade. É um custo que se paga porque você dobra a produtividade. Também temos na fazenda um projeto de produção de fêmeas F1 para venda com alta qualidade genética. Na avaliação da Associação do Girolando, fomos classificados como a terceira melhor propriedade em intervalo entre partos.”
Na Fazenda Retiro do Flor, além de produzir leite, Candiotto já plantou café, criou gado de corte, carneiros, porcos e até galinha caipira, comercializadas em restaurante da capital Belo Horizonte. Parou com o café pela dificuldade de comercialização, mesmo o produto tendo qualidade. Não estava em região tradicional de venda do grão; e o porco, devido à falta de mão-de-obra.
Na época da primeira entrevista, Candiotto disse que, por gostar de ser produtor rural, incentivava os filhos a seguirem o mesmo caminho. Hoje, o filho Bernardo Candiotto, que também é engenheiro civil como o pai, e que antes cuidava do gerenciamento da criação de carneiros, está envolvido diretamente na produção do leite. E o neto Artur, com quase 2 anos, já dá os primeiros passos no criatório segurando as mãos do avô. “Para a sucessão familiar dar certo é preciso ter rentabilidade dentro da fazenda”, reconhece Candiotto.




A COOPERATIVA CENTRAL – A CCPR desenvolve diversos programas, como o “Fazenda Nota 10”, “Programa Genoma FIV”, e oferece assistência técnica agronômica e nutricional aos associados do sistema, visando a qualidade do leite.
No “Programa Macho Leiteiro”, Candiotto explica que a CCPR vai comprar bezerros dos produtores associados, que se interessarem em fazer parte do programa, e enviar para um centro de recria. E aconselha o cruzamento das matrizes com Nelore: “Nosso objetivo é exportar a carne”, conclui. Com a Epamig, a CCPR pretende implementar um projeto de alevinos, incentivando a criação de peixes para ser mais uma fonte de renda dentro da propriedade.
FÁBRICA EM CURVELO – A maior fábrica de rações da América Latina é da CCPR, recentemente concluída no Distrito de São José da Lapa, em Curvelo (MG). Candiotto disse que a escolha do local foi pela localização estratégica e orientação do ex-ministro de agricultura Alysson Paolinelli. Começou a funcionar em janeiro. Sete Lagoas e Paraopeba vão ter uma redução enorme no frete em decorrência da curta distância.
A localização da fábrica de rações da CCPR é estratégica, está inserida em um complexo viário atendido pelas rodovias BR 135, BR 040 e BR 262. “Todas essas regiões serão beneficiadas com essa fábrica, trazendo e estimulando os produtores para a produção dos grãos”, comenta Candiotto.
“Estamos chamando os produtores da região para produzir milho e soja; e vender para a fábrica. Vamos atender pequenos, médios e grandes produtores. A partir de 50 sacas vamos comprar e os associados ao sistema CCPR terão preferência”, garantiu Candiotto. O potencial das propriedades será avaliado e o produtor vai receber assistência técnica durante o plantio. E terá encaminhamento para financiamento em instituições financeiras conveniadas, se precisar de recursos para implementar as culturas.
CENTRAL MINEIRA – A Fábrica de Rações da CCPR está criando oportunidades para o agronegócio na região central de Minas Gerais, onde existem grandes fazendas que já produzem grãos. A Embrapa Milho e Sorgo dará apoio, indicando variedades de milho para plantio, e fará difusão de tecnologia através de eventos, seminários e dias de campo. “Se não fosse a Embrapa, criada por Alysson Paolinelli, não teríamos milho no Brasil”, reconheceu Candiotto.
A nossa região se destaca por ter atributos que a posicionam de maneira privilegiada no cenário agrícola: solos mecanizáveis facilitam a otimização de produção; uma pluviometria favorável e fontes abundantes de água garantem condições ideais para o cultivo. Além disso, a logística eficiente e agroindústrias bem estruturadas impulsionam a distribuição e a agregação de valor aos produtos locais.
ATO COOPERATIVO – O Ato Cooperativo, aprovado recentemente pelo Senado Federal, através de Emenda à Constituição (PEC) 45/2029, foi uma grande conquista para os produtores rurais associados a uma entidade cooperativista. Na prática, caracterizou as operações realizadas entre cooperativas e seus associados para a consecução dos objetivos sociais, como uma atividade sem finalidade lucrativa. A aprovação proporcionou maior segurança jurídica e competitividade ao setor.
Marcelo Candiotto representa a Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg) na Câmara do Leite em Brasília. A mobilização do Sistema OCB (Organização das Cooperativas Brasileiras), em conjunto com a Frente Parlamentar do Cooperativismo (Frencoop) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), foi fundamental para a inclusão dessas previsões no texto aprovado.
LEITE NA MERENDA – A venda direta do leite pelo produtor, que tiver o Cadastro Nacional de Agricultura Familiar (CAF), para a merenda escolar também é um projeto a ser implementado pela CCPR. Isso em parceria com a Emater e Sindicatos. Já foi implementado na Coopersete, quando Candiotto era presidente. Na época, alguns pequenos produtores recebiam pelo litro de leite praticamente o mesmo valor que os grandes, que são bonificados devido ao custo menor da coleta em decorrência da quantidade.
Matéria publicada na Revista COOPERANDO de 15 de fevereiro de 2025.